Mãe não é tudo igual e elas mudam sim de endereço

Ser mãe. Tarefa em tempo integral das mais difíceis que existem. Nela, há muito trabalho, muita dedicação; é algo que exige tempo, esforço e amor. Ser mãe também é trabalhar com riscos o tempo todo. Um erro sequer pode ser fatal. Às vezes, há reconhecimento, outras não. Mas esta tarefa, passe o tempo que for, nunca deixa de ser cumprida por quem, de fato, escolheu ser mãe.

Por Aline Rodrigues

Um rápido bate-papo com uma mãe é o suficiente para que os seus medos, tensões, angústias e preocupações se revelem. Por trás de toda mãe sempre haverá centenas de dúvidas e outros milhares de questionamentos e confusões sentimentais. Será que estou fazendo certo? Será que é assim? E se não for? Digo não? É a hora do sim? Faço daquele jeito? Mas disseram que daquele outro é melhor. Vista assim, vista assado, faça, seja, tenha, ame…

São muitas coisas que passam pela cabeça de uma mulher ao se descobrir mãe. Em parte, todas as pressões que ela sofre são exercidas pela sociedade machista em que vivemos há tempos. Na infância, por exemplo, quando uma menina ganha sua primeira boneca, a ideia de que em algum momento da sua vida, necessariamente, ela terá que ser mãe, já está sendo introduzida.

No entanto, quando a mulher finalmente tem filho, as pressões não desaparecem. Pelo contrário, elas se enchem das mais diversas críticas. Algumas são por causa do emprego, que muitas mães abdicam ou por, sem o apoio necessário, não conseguirem conciliá-lo com a educação do filho, ou pela visão errônea de que sair para trabalhar em vez de ficar em casa cuidando do filho fará mal à criança. Outras críticas, então, são feitas pela forma como a mãe decide cuidar do filho – e nesse caso, os familiares, amigos e até os médicos são craques em dar palpites. O fato é que a mãe sempre terá algum dedo sendo apontado em sua direção pronto para lhe dizer o que deve ou não ser feito.

Há, ainda, a noção equivocada de que ao se tornar mãe, a mulher precisa colocar a vida da criança sempre em primeiro lugar. É preciso tomar cuidado com isso. Claro que as responsabilidades que ela tinha dobram de tamanho e intensidade e são, em grande quantidade, transferidas para o filho. Mas e ela? Deixa de ser esposa e amiga? Deixa de se cuidar, se divertir? Deve passar a viver somente para o outro?

Assim, o que nos fica é a complexidade do que ser mãe significa dentro do nosso meio social. Acontece uma verdadeira revolução na vida da mulher em diferentes aspectos, muito mais do que na do homem. É uma mudança total de hábitos e pensamentos.

Contudo, é preciso dizer que as coisas já não estão mais como antigamente. Hoje, ainda que para uma parcela privilegiada de mulheres, há a opção de escolha sobre a maternidade. O número de mulheres que decidem ter filhos após os quarenta anos só cresce. Neste perfil, estão as que resolveram adiar esta tarefa para se dedicar primeiro aos estudos, à carreira e até mesmo ao casamento.

Devido aos avanços tecnológicos e dos inúmeros métodos de fertilização que existem atualmente, as mulheres conseguem planejar melhor a vida, de forma que ser mãe fica sendo, realmente, uma escolha e, como tudo na vida, ela tem suas vantagens e desvantagens. Estas, por sua vez, quando expostas da maneira mais clara possível, ajudam na tomada de uma decisão consciente e, o mais importante, sem arrependimentos.

Uma mulher que opta deixar os filhos para depois dos quarenta corre os riscos de não conseguir engravidar pelo modo natural, já que o número de óvulos produzidos será baixíssimo para isso. Além disso, ela pode ter abortos espontâneos ou muitas complicações na gravidez, como diabete gestacional e pressão alta.

Por outro lado, a maternidade nesse período da vida tem os seus benefícios, como o amadurecimento advindo das experiências, que torna a mulher mais segura, mais preparada e serena para lidar com as diversas situações da vida; a questão da estabilidade financeira que, sem a pressa de investir na carreira já conquistada, possibilita à mulher passar mais tempo com seu filho. No caso das mulheres casadas, ser mãe com mais de quarenta traz muitas vantagens ao casal, que pode se curtir e curtir o filho sem tanto estresse e cobranças.

Não podemos esquecer que as redes sociais têm uma importante contribuição na forma como a maternidade passou a ser encarada hoje. Por meio da integração virtual oferecida, mães de diversas regiões e idades encontram cada vez mais apoio uma nas outras e podem, de uma forma mais livre, compartilhar os anseios e culpas que o “ser mãe” causa.

Além disso, as redes dão oportunidade para aquelas mães que preferem ficar em casa, convictas de que sair para trabalhar não é o melhor a se fazer no momento. Sendo assim, muitas decidem trabalhar da maneira Home Office a fim de cuidar do filho, passar mais tempo com ele e acompanhar o seu crescimento. Afinal, é muito difícil encontrar tempo para as múltiplas funções que uma pessoa – e sendo mulher é pior – assume nos tempos modernos e, portanto, aquelas que têm condições de deixar o trabalho fora de casa, mas continuar mantendo a renda por meio do e-commerce, por exemplo, se arriscam.

Porém, é preciso ter sempre em mente que trabalho é trabalho estando dentro ou fora de casa, a disciplina e os horários devem ser mantidos e a rotina também. A maior dificuldade das pessoas que trabalham desta maneira é gerenciar o tempo de uma forma adequada. Para uma mãe, isso é ainda mais complicado, já que ela terá que se dividir entre o expediente e a atenção exigida pelo filho.

Definitivamente, mãe não é tudo igual e elas mudam sim de endereço. Não existe uma fórmula mágica que todas usam e repetem ao longo dos tempos. Se fosse assim, todos os humanos teriam os mesmos comportamentos, manias e rotinas. Não há um modo que seja o mais correto de cuidar do filho. Ninguém nasce sendo mãe e tudo varia muito. Ser mãe aos quarenta, como vimos, implica em questões diferentes do que ser mãe aos vinte.

Cada mãe sentirá e reagirá às situações vividas de uma forma distinta, ainda que todas possam compartilhar de pensamentos e emoções semelhantes. O que não se pode contestar, no entanto, é que a minha mãe é a melhor mãe do mundo. Sem exageros.

O que não impede que a sua também seja a melhor mãe do mundo para você.

O que não impede que todas as mães, cada qual a sua maneira, sejam as melhores do mundo, do mundo dos próprios filhos. Do universo que há dentro de cada um.